sexta-feira, 3 de abril de 2020

OMS retruca fala de Bolsonaro e reforça política de isolamento


Após o presidente Jair Bolsonaroomitir e distorcer um trecho do pronunciamento do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para alegar que, agora, até a entidade internacional estaria defendendo o retorno ao trabalho, a OMS e o próprio diretor-geral vieram à público para reafirmarem a importância do isolamento social e cobrar políticas sociais de proteção econômica aos que não podem trabalhar neste período.
Após a repercussão da fala de Bolsonaro, Tedros defendeu no Twitter que os que ficaram em casa sem renda devem ser beneficiados por políticas sociais dos governos de proteção econômica, para que possam permanecer no isolamento social e impedir o avanço do novo coronavírus. Essa informação, que constava no discurso repercutido por Bolsonaro, foi omitido nas declarações do presidente da República.
“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS. Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”
A OMS foi questionada pela TV Globo se as palavras do diretor-geral podem justificar a afirmação do presidente Jair Bolsonaro de que, para o diretor da OMS, “os informais têm que trabalhar”.
Em sua resposta, a Organização afirmou que o diretor-geral não disse ser contra as medidas de isolamento e que reafirmou a importância do apoio do governo àqueles que perderam renda por causa da Covid-19. A OMS continua a reforçar que a política de isolamento é a mais eficaz contra o avanço do novo coronavírus.
A fala de Tedros Adhanon mencionada por Bolsonaro foi uma resposta a uma pergunta sobre os impactos das medidas impostas pelo governo da Índia, que impôs restrições de movimentação e fechamento de comércio no país.
— Sou da África e sei que muita gente precisa trabalhar cada dia para ganhar o seu pão. E governos devem levar essa população em conta. Se estamos limitando os movimentos, o que vai acontecer com essas pessoas que precisam trabalhar diariamente? Cada país deve responder a essa questão — disse Tedros, acrescentando:
— Precisamos também ver o que isso significa para o indivíduo na rua. Venho de uma família pobre e sei o que significa sempre preocupar-se com o pão de cada dia. E isso precisa ser levado em conta. Porque cada indivíduo importa. E temos que levar em conta como cada indivíduo é afetado por nossas ações. É isso que estamos dizendo.
Em outro trecho da entrevista, omitido por Bolsonaro, o diretor-geral deixa claro que quem deve assistir às populações mais carentes, em caso de isolamento e quarentena, são os governos.
Nesta manhã, Bolsonaro perguntou se os jornalistas viram o que o diretor da OMS falou em coletiva:
— Vocês viram o que o diretor-presidente da OMS falou, não? Alguém viu aí? Que tal eu ocupar rede nacional de rádio e TV hoje à noite para falar sobre isso? O que ele disse praticamente, em especial, tem que trabalhar — disse o presidente, completando:
— Quando eu comecei a falar isso, entraram até com processo no Tribunal Penal Internacional contra mim, me chamando de genocida. Eu sou um genocida por defender o direito de você levar um prato de comida para tua casa — comentou, apesar de não haver um processo formalizado até o momento.
Segundo Bolsonaro, Tedros estava aparentemente “um pouco constrangido, mas falou a verdade”.
— Eu achei excepcional a palavra dele, e meus parabéns: OMS se associa a Jair Bolsonaro — declarou, arrancando aplausos de apoiadores que estavam em frente ao Palácio.

Governo estuda isentar conta de luz de famílias de baixa renda



O governo federal avalia isentar a conta de luz de consumidores de baixa renda, por conta dos impactos econômicos causados pelo avanço do novo coronavírus. A medida seria válida por três meses, segundo fontes.
A medida teria um custo de R$ 350 milhões por mês. Em três meses, o impacto ficaria próximo a R$ 1 bilhão.
Ainda não está decidido se esse valor será pago pelo Tesouro Nacional ou embutido nas contas de luz dos demais consumidores de energia.
Atualmente, a tarifa social é paga pelos demais consumidores por meio das contas de luz.
A tarifa social hoje funciona de forma escalonada. O programa Tarifa Social funciona de forma escalonada. O desconto sobre a tarifa de cada distribuidora de energia varia conforme o nível de consumo da residência: 65% de desconto para consumo de até 30 kWh por mês, 40% (31-100 kWh) e 10% (101-220 kWh).
O governo discute agora subir o desconto para 100% da conta de luz de as faixas durante três meses.
Para ter direito ao benefício, o consumidor deve estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e ter renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo (R$ 522,50). Também têm direito idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência, que recebam o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) proibiu o corte no fornecimento de inadimplentes num prazo de 90 dias.

Sem casos confirmados do novo coronavírus em Casa Nova, Wilker Torres permite funcionamento de comércio e serviços


Mesmo mantendo o estado de emergência pelos próximos 90 dias em Casa Nova, norte da Bahia, como medida de contenção ao novo coronavírus (Covid-19), o prefeito Wilker Torres decidiu atender aos pedidos de comerciantes e prestadores de serviço da cidade. Em consulta à área técnica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o gestor resolveu flexibilizar proibições constantes nos decretos anteriores, uma vez que ainda não há casos confirmados da doença.
O Decreto 639/2020 de 31/03/2020 dá permissão de funcionamento das feiras públicas e mercado de carnes e peixes a partir desta quarta-feira (1/04), diariamente, até às 14h, com observância das normas de higiene recomendadas pela pasta, sob fiscalização da Agência Municipal de Vigilância Sanitária (AMVS), evitando aglomerações.
Ficou também mantida a permissão de funcionamento de bares e restaurantes apenas para fins de entrega em domicílio e a recomendação quanto à proibição de realização de missas e cultos, no intuito de que seja evitada aglomeração de pessoas.
Por fim, fica autorizado o funcionamento do comércio e demais atividades empresariais e de prestação de serviço até às 14h, exigindo que não poderá haver aglomeração nos estabelecimentos e a distância mínima de dois metros entre as pessoas, com marcadores no piso. Quem não obedecer, segundo a prefeitura, terá o estabelecimento fechado.

"Violência doméstica, policiais infectados: os reflexos da pandemia na segurança pública"



"Não é só a saúde pública e a economia que podem sentir os reflexos da pandemia de coronavírus que chegou ao Brasil em fevereiro. A segurança pública também é uma área que pode ser afetada pelas consequências da crise.

O isolamento social recomendado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pode tanto aliviar algumas demandas dos setores de segurança, com a diminuição de alguns tipos de crimes que acontecem nas ruas, como aumentar a demanda por causa de crimes relacionados à violência doméstica, que já começaram a mostrar crescimento.

Além disso, a pandemia pode gerar consequências na manutenção da ordem pública e acarretar em uma possível diminuição do efetivo das forças de segurança, já que os policiais que estão atuando nas ruas correm o risco de se contaminar pela covid-19."

"Ainda é cedo para dizer com precisão se a quarentena forçada pela pandemia pode contribuir para a diminuição dos índices de homicídios, crimes contra o patrimônio, entre outros. Mas já é possível identificar um aumento nos registros de violência doméstica e violação de direitos humanos nas primeiras semanas do isolamento social.

A PRÓXIMA PANDEMIA TAMBÉM VIRÁ DA CHINA. E NÃO DEVE DEMORAR MUITO



Reúna centenas de animais Silvestre num só lugar. Coloque outras centenas de pessoas ao redor. Faça com que essas pessoas comprem os animais ainda vivos, ou mortos na hora da comercialização. Prepare a carne ainda fresca, sem congelá-la, e sirva mal passada Pronto: Você tem a receita completa pra disseminar vírus.
A pandemia do coronavírus teve origem na China, assim como foi lá que surgiu a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), no inicio do milênio. No futuro, outras epidemias também surgiram no país asiático. E a explicação é simples: os mercados chineses onde animais silvestres são comercializados funcionam como um verdadeiro caldeirão.  “Como os animais ficam concentrados e são vendidos vivos, os vírus consegue se espalhar com mais facilidade”, explica o biomédico especializado em virologia Jaime Henrique Amorim, professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) que neste momento trabalha na instalação de um laboratório de diagnóstico molecular.           
Acontece que os vírus sofrem mutações o tempo todo. No momento em que uma leva dele se altera a ponto de conseguir habitar o organismo humano, ele tem a sua volta uma série de oportunidades para migrar. “Essas mutações acontecem no ambiente natural dos animais, mas ali o vírus não tem contato direto com pessoas, que permitiriam que ele mudasse de habitat “, diz o pesquisador.
É por isso, diz, ele, que os coronavírus que habitam morcegos e status brasileiros não encontram a mesma facilidade para disseminar uma epidemia, como acontece na China. “Não os criamos em grandes quantidades, nem temos um contato tão próximo com eles”. E principalmente não temos o hábito de nos alimentar deles em grandes quantidades.
“Os tratadores dos animais e os vendedores já podem pegar o vírus.  Na casa dos consumidores, eles podem passar para as pessoas durante o preparo ou na ingestão. Ao entrar em contato com a boca, saltam para o sistema respiratório”, explica o professor da UFOB.
Diante da alta densidade populacional das cidades chinesas no entorno desses mercados, esses vírus que se adaptaram aos humanos entram as condições ideais para se propagar rapidamente. Como a china é hoje altamente aberto ao mundo, é questão de semanas até que portadores de novos vírus viagem para todos cantos do planeta. “Poderíamos tranquilamente rebatizar a pandemia de coronavírus  chinês“, afirma o pesquisador.

HABITO ANTIGO

Os mercados onde os animais silvestres são comercializados sustentam tradições de décadas – mais especificamente, desde de a grande crise de abastecimento provocada pelo regime de Mato Tsé Tung, que matou de fome 45 milhões de pessoas entre 1958 e 1962 e levou milhares de pessoas a recorrer à carne de qualquer tipo de ser vivo para se alimentar.
Ainda hoje, aproximadamente metade da população do país ingere, mesmo que ocasionalmente, animais silvestres ou tem contato com eles porque compartilham de antigas crenças a respeito do poder medicinal de alguns desses animais. As escamas do Pangolim, por exemplo, seriam eficazes para curar febre. Esse mamífero, em especial, é tão disputado nos mercados chineses que corre o risco de entrar em extinção. Ele é o maior suspeito, nesse momento, de ter transmitido o Covid-19 para humanos. O pangolim possivelmente atuou como intermediário, infectado por algum dos mais de 200 tipos de vírus que os morcegos carregam consigo.
Há décadas o governo chinês afirma tentar impedir a prática. Em alguns locais, como Pequim, a ação foi bem sucedida. Em outros, como Guangzhou e Wuhan, os mercados continuam funcionando. “Esses mercados fazem parte da cultura chinesa, mesmo que o governo proíba essas atividades continuam acontecendo”, explica Jaime Henrique Amorim. “São hábitos ligados a períodos de crise, guerras, fome. Eles também comem insetos, por exemplo. E não vão parar”.
O que fazer, então? “Agir com mais transparência”, diz o professor. “Se o governo chinês tivesse informado os outros países assim que identificou a epidemia, eles teriam mais tempo para se preparar. E o tempo, nessas situações, faz toda a diferença”.
Além disso, diz o professor, os países ocidentais precisam se preparar melhor para essas situações – afinal, essa pandemia vai acabar, mas outras virão, certamente. “Outros países asiáticos, como a Coreia do Sul, já lidaram com a Sars e desenvolveram procedimentos padronizados para situações como essa. Nós no Brasil temos agora a oportunidade de aprender com a experiência, e nos prepararmos melhor para próxima pandemia”

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/proxima-pandemia-china/

Dono da Madero demite mais de 600 funcionários


A rede de restaurantes Madero demitiu, nesta quarta-feira, 1.º, mais de 600 funcionários, confirmou o empresário Junior Durski, controlador da empresa, ao Estadão. Segundo ele, as demissões se concentraram em equipes voltadas aos projetos de expansão da rede, que previa abrir mais 65 unidades ainda em 2020. A crise do coronavírus deverá cancelar a maior parte dessas inaugurações.
Em vídeo divulgado na semana passada, no entanto, o empresário havia afirmado que manteria o emprego dos 8 mil funcionários que a rede tinha antes dos cortes realizados nesta quarta-feira. Ele havia afirmado que tinha caixa para passar até seis meses com as portas fechadas.
Fontes de mercado haviam dito à reportagem que o total de demissões seria maior, de cerca de 2 mil, mas Durski negou essa informação. “Não sabemos quanto tempo vai durar esse período de lojas fechadas – se vai ser mais um mês ou dois”, disse Durski à reportagem. “Tínhamos 8 mil funcionários (antes da decisão de realizar essas demissões). Fizemos isso para preservar os demais colaboradores.”
Entre as áreas afetadas pelas demissões, segundo Durski, estão a de engenharia – responsável pela execução de projetos dos novos restaurantes – e a de arquitetura, que tem profissionais dedicados a adaptar o lay-out do Madero às especificidades de espaço de cada nova loja. Nessas duas áreas foram demitidas cerca de 15 pessoas, entre executivos, engenheiros e arquitetos.
A maior parte dos trabalhadores demitidos, segundo Durski, se encontrava em período de treinamento. Eram pessoas que haviam sido recentemente contratadas e estavam sendo treinadas em restaurantes já em funcionamento. Elas, posteriormente, seriam alocadas para funções de atendimento, cozinha e limpeza nas unidades que a empresa ainda abriria.
Um dos empresários com a imagem mais ligada ao presidente Jair Bolsonaro, o dono do Madero causou polêmica ao defender, nas redes sociais, o fim do isolamento social recomendado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O presidente da República, nas últimas semanas, deu várias declarações favoráveis ao fim do isolamento social, citando danos à O Madero, antes do início da crise do coronavírus, em março, se preparava para uma abertura de capital nos Estados Unidos, inclusive com a contratação de bancos para esse fim. Entre os sócios da companhia estão o apresentador Luciano Huck e o fundo de private equity (que compra participações em empresas) Carlyle. O fundo pagou mais de R$ 700 milhões por uma fatia de pouco mais de 20% da rede no ano passado.
Com a crise do coronavírus, que tem mantido os restaurantes fechados, Durski disse ainda que pretende cortar fortemente a previsão de expansão para este ano. Dos 65 restaurantes previstos, apenas 20 deverão ser abertos, disse.

O uso de máscaras deve ser considerada por todos



Uma coisa é faltar máscaras para profissionais de saúde e para doentes — essa é uma duríssima realidade em muitos países, inclusive o Brasil. E, entendo, a falta de um recurso essencial na arena de luta contra o coronavírus até justificaria todo um movimento para desincentivar as pessoas a estocarem o acessório como quem esvazia latarias nas gôndolas dos supermercados em puro desespero ou, vá lá, egoísmo. Outra coisa muito diferente, porém, é pensar que máscaras não têm serventia para quem não apresenta sintomas. Aviso: se qualquer criatura buscar um único trabalho com aval da ciência afirmando o disparate não o encontrará. Simplesmente não existe.
E mais: parece que não dá mesmo para sair por aí de boca e nariz descobertos. Esse pode ser um terrível equívoco, como afirmam diversos artigos assinados por pesquisadores sérios, um deles publicado há três dias na revista americana Science, em que médicos chineses na linha de frente do combate à covid 19 apontam em coro que a população em geral deixar de usar máscaras seria um dos maiores equívocos pelo mundo afora — por outro lado, dizem mais especialistas, usá-la amplamente talvez seja um dos grandes acertos do povo sul-coreano para segurar a transmissão da infecção em seu país.
Lá na Coreia do Sul, por questões culturais, se uma pessoa dá um único espirro ou tosse, imediatamente passa a vestir máscara até para andar com o cachorro. Em tempos de coronavírus, claro que o costume se expandiu para todos os cidadãos que, por um motivo ou outro, precisaram circular por ruas e outros espaços.
Atenção, repito: não existe a menor evidência científica de que não vale a pena sair de máscara em uma pandemia na qual 78% das pessoas que passam a infecção adiante se sentem bem, obrigada, mas espalhando o coronavírus quando abrem a boca até para dizer exatamente isso: “estou bem, obrigada”.
Só pela fala, o agente causador da confusão pode flutuar no ar em partículas ainda menores do que aquelas que ejetamos quando espirramos ou tossimos — que, no início dessa pandemia, eram o foco principal das preocupações dos médicos. “Estas partículas maiores, que de fato são repletas de vírus, voam por menos tempo se comparadas às menores, que flutuam por até três horas e vão se espalhando e espalhando pelo ambiente, feito uma nuvem”, descreve o patologista Paulo Saldiva, professor da Universidade de São Paulo (USP). São detalhes, às vezes um tanto sinistros, que a ciência passa a conhecer mais profundamente agora, no que diz respeito ao novo coronavírus.
As gotículas maiores que soltamos pela boca e pelo nariz têm de 1 a 1,5 micron — micron equivale a 1 milionésimo de metro. Quando tossimos, nós as ejetamos a uma velocidade incrível de 10 metros por segundo. Não dá tempo para qualquer um sair da frente. Mas a maioria despenca no chão — ou cima do móvel, na parede, na roupa e na pele de quem estiver por perto — a 2 metros de distância. Isto é, sem aquele gesto básico de proteger a boca com o cotovelo para impedir esse jato ou parte dele.
No espirro, as gotículas grandalhonas — o que, sei, soa a contradição em termos — geralmente têm uma velocidade ainda mais impressionante de 50 metros por segundo. Mas nunca chegam nem perto disso. A maioria cai — de novo, no chão ou no que estiver por perto. Faz uma curva apontando para o solo a 1,5 metro de distância. Tosses e espirros, portanto, reforçam a recomendação de, se por acaso cruzar com alguém, manter literalmente boa distância física. Seria 1 metro, no mínimo. Ou 2 metros, o ideal.
Agora, o problema é : existem também os malditos aerossóis menores do que 1 micron. Eles se espalham por 6, 8 metros até, na tosse ou no espirro — sem a barreira de uma máscara, haja então o raio do distanciamento social! Saem também pela boca quando falamos, só que em quantidade menor, claro. Menor ainda se falamos baixo e… bem maior, se por acaso gritamos. Popular, cuspir raiva. Pior, como já foi explicado, não aterrissam depressa. Passeiam pelo ar. Em uma avenida, ao menos, um vento pode espalhar esses balões microscópicos com seus passageiros desagradáveis, dispersando-os e aliviando o risco. No entanto, no supermercado e em outros locais fechados, a história é outra… Por ali.No ar que respiramos. Por três horas.
Busquei também a opinião do biólogo molecular Luiz Gustavo Bentim Góes, do Instituto de Ciências Biomédicas da mesma USP, considerado um dos maiores estudiosos de coronavírus do país. “Se não fosse a ameaça de faltarem máscaras em situações críticas, eu diria que, sim, na situação atual todos deveriam usá-las sempre, até mesmo aquelas pessoas sem o menor sintoma. Isso certamente teria um impacto importante na transmissão”, opina.
A realidade é que qualquer barreira física ajuda a conter a covid-19 — umas mais e outras menos. Mas, para quem está sedento, ouvi, melhor um gole de água se não dá para beber o copo inteiro. Será então que o “copo inteiro” seria a famosa máscara padrão N95, que em tese não deixa passar quase nada? “Estas, para começo de conversa, serão artigos tão ou mais disputados do que ventiladores em hospitais daqui a muito pouco tempo”, afirma o professor Saldiva. E tem mais: entregar nas minhas mãos ou nas suas uma máscara profissional assim é como pedir para quem sempre dirigiu um Fusca sair acelerando uma Ferrari. Desastre na certa. Saiba: uma máscara desse padrão mal vestida dá quase na mesma do que sair de rosto nu.
A saída para quem não encontra nem sequer máscaras cirúrgicas simples ou quer deixá-las para quem mais precisa é lançar mão de versões caseiras. São extremaste úteis, sim. Não faltam tutoriais na web para produzi-las, bastando tecido e elástico. A eficácia varia conforme o pano, é verdade. “As máscaras, até mesmo as caseiras, são essenciais principalmente para quem pega transporte público. As estações de metrô, por exemplo, são ambientes em que provavelmente deve existir muito coronavírus do ar”, diz Paulo Saldiva.
Existem alguns erros graves, porém, na hora de usar uma máscara de pano qualquer. Cuidado. Um deles é ficar com qualquer máscara de tecido no rosto por muito tempo. “Depois de algumas horas, ela satura”, avisa Paulo Saldiva. Ou seja, não ajuda em mais nada. Outro é deixá-la solta na bolsa, na mala de trabalho, no bolso — isso nem pensar! “O correto é, chegando no local de trabalho, por exemplo, e se não for usá-la lá, guardar esse acessório em saco plástico”, avisa o professor.
Segundo ele, o ideal mesmo seria levar duas ou três ao sair de casa. Cada uma delas em um saco plástico bem limpo. E, desse modo, usar uma máscara para pegar o ônibus na ida e outra para pegar o ônibus na volta.
Ao chegar em casa, o acessório precisa ser imediatamente lavado. Como? Com água e sabão. “Não adianta usar a máscara de ontem, se ela não passou pela limpeza. Mas qualquer sabão dá conta de acabar com o vírus, se ele ficou retido no tecido”, garante Paulo Saldiva.
Lembre-se ainda que a máscara deve cobrir bem todo o nariz e a boca — e não tem mistério nisso, até crianças conseguiriam. Mas não adianta usá-la para descê-la ou até mesmo tirá-la na hora de falar com alguém — ao chegar no caixa da farmácia, por exemplo, se por acaso você precisar ir a uma e ele não entender o que você está dizendo. Não tire a máscara e, sim, repita a fala. Muito menos resolve vestir máscara e abaixá-la ligeiramente para cochichar nos ouvidos de quem está ao lado, como já assistimos em entrevistas coletivas na televisão. Outro mau exemplo.